Trabalhar de casa exige limites que ninguém te ensina.

Escrito em 05/05/2026
GISLAINE SILVA DE BRITO BALZANO



Por  Giselle Vicente Ghilardi van Arnhem -  @tulipdeko_de

Sou design de mesa posta e proprietária do ateliê de costura Tulipdeko, onde produzo peças personalizadas para facilitar e embelezar a sua cozinha e a sua mesa.

Mãe em Casa

Como era sua rotina quando você tentava trabalhar e cuidar da casa e dos filhos ao mesmo tempo.
O que não funcionava?

Nós mulheres já nascemos achando que temos superpoderes, mas na verdade nós temos mesmo.

Somos capazes de fazer várias tarefas e ainda por cima ao mesmo tempo (detalhe, e ainda  fazer bem feito).

Esta capacidade é exclusividade nossa, justamente por termos várias funções. 

Cuidar do bom andamento da casa e cuidar dos filhos não é uma tarefa fácil, mas para mim sempre foi leve, satisfatório e prazeroso. Isto não quer dizer que eu não tivesse tido trabalho, muito pelo contrário. 

Principalmente quando imigramos para a Alemanha sem nenhuma rede de apoio.

Foi neste momento que mesmo dividindo algumas tarefas, ficou sobrecarregado para mim. 

Quando eu comecei a trabalhar o meu filho mais velho estava saindo de casa para estudar.

Foi um período que eu precisava me ocupar, para preencher o vazio do “ninho”, para isto eu tive que me organizar muito bem. Separava alguns períodos para poder me dedicar ao meu trabalho. 

Confesso que no começo foi muito difícil, porque as tarefas de casa nunca terminam. Mas foi preciso eu estabelecer horários de trabalho pessoal e trabalho de casa. 

Não funciona você começar a fazer o serviço de casa se iludindo que será rapidinho, se você tem compromisso de trabalho tem que priorizá-lo.

Qual foi o primeiro limite que você precisou criar para conseguir trabalhar de casa de verdade?

Para poder separar o trabalho de casa e o trabalho pessoal tem que ter muita organização e disciplina senão você não consegue conciliar os dois. 

O meu primeiro limite foi sem dúvida definir o meu horário de trabalho e evitar fazer tarefas domésticas durante este período.

Concordo que não é fácil. Este é um limite muito importante, pois culturalmente somos condicionadas a priorizar a casa antes do nosso trabalho.

Você terá tempo para a casa e a família também, basta cumprir os horários, principalmente de término do horário de trabalho.

Como você separa mentalmente o espaço de mãe do espaço de CEO dentro da mesma casa?

Separar estes espaços para mim não é tão dificultoso como para a maioria, das mulheres, eu acredito. 

É meio que automático, pois eu sou autônoma, eu trabalho sozinha, não que eu não precise ter disciplina para isto.

Dentro do meu ateliê eu sou a CEO do meu negócio e para isto é importante que tenha um espaço físico, pode ser simplesmente uma mesa, mas este espaço vai te ajudar a delimitar para o seu cérebro que naquele momento é a CEO e quando sai daquele espaço encara outros papeis.

Resumindo, eu tento separar os papeis, mas nem sempre é possível.

A preocupação com os filhos e com a casa está sempre presente.

Já teve um dia em que a mistura de casa e negócio foi longe demais.
O que aconteceu e o que você aprendeu?

Sim várias vezes. Principalmente no começo do meu negócio.

Eu não estabelecia horários para trabalhar no ateliê, então eu começava fazendo as coisas de casa, quando dava um tempinho, eu corria para a máquina e fazia uma costura rapidinho.

Deste jeito eu não consegui nunca terminar uma peça ou me concentrar direito no que estava fazendo.

Eu pensava por exemplo, vou só passar esta roupa e já vou para o ateliê, quando eu via já não dava mais tempo, tinha outros compromissos.

Até que comecei a estabelecer horários e ter disciplina para cumpri-los, o importante é você não se distrair com outros afazeres. 

Que estrutura mínima você recomenda para uma mãe que está começando a trabalhar de casa?

Na minha opinião para você começar a trabalhar de casa você tem que ter muita disciplina, esta é a principal característica.

Se você não tiver será muito complicado separar as duas tarefas ao longo do dia. 

O ideal seria trabalhar com o que gosta, o que lhe traga prazer e satisfação, no meu caso eu amo o que eu faço e faço com muito amor.

O correto também é criar hábitos que possam gerar “gatilhos mentais”, por exemplo:  trocar de roupa, fazer um cafezinho antes de começar a trabalhar, ligar o computador, estes sinais ajudam a marcar quando você está entrando ou saindo do modo profissional.

O que ajuda muito também é estabelecer os horários, mesmo que flexíveis aí entra a disciplina, pois interrupções podem acontecer, mas se focar para retornar ao trabalho assim que possível.

Como sua profissao apoia essa mulher no dia-a-dia dela que que é mãe e empreendedora diretamente de casa.

Na minha profissão de designer de mesa posta eu apoiaria esta mulher incentivando os momentos em família. 

Na correria do dia a dia conseguindo priorizar momentos importantes de muita troca e aprendizado durante as refeições.

Mesmo que seja algo rápido, mas que tenha intenção e presença.

Eu entendo que as vezes é complicado fazer as 3 refeições com a família toda reunida, mas que tente pelo menos o jantar ou café da manhã, ter aquele momento de união e carinho a mesa.

São momentos único que irão gerar memorias afetivas, estrutura emocional, sensação de cuidado e ordem dentro do seu lar. 

A mesa posta ajuda a devolver a sensação de organização mental, criando um ritual de ordem dentro de casa, além de marcar transições dentro do dia.

O mais lindo disto tudo é a mensagem que ela transmite: é hora de parar e estar com a sua família.

Por Giselle Vicente - @tulipdeko_de

Sou design de mesa posta e proprietária do ateliê de costura Tulipdeko, onde produzo peças personalizadas para facilitar e embelezar a sua cozinha e a sua mesa.

Giselle Vicente é mentorada do Coworking do ecossistema Lady Day Academy fundado por Gislaine Balzano e estrategista de negócios, imagem e marca pessoal, mentora de empreendedoras e empresárias e fundadora da Lady Day Academy.

Diretora executiva de moda internacional com projetos em Londres, Paris e Milão. @ladydayacademy e @gislainebalzano

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Estou reunindo 30 mulheres que estão prontas para olhar para a própria história com mais verdade e começar a sustentar, com consciência, os papéis que vivem hoje.

Não é sobre dar conta de tudo. É sobre parar de se abandonar no meio do caminho.

As vagas são limitadas porque esse espaço precisa ser vivido com profundidade, não com pressa.

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