Quando dar conta vira adoecer. E o que fazer antes disso?
Escrito em 09/05/2026
GISLAINE SILVA DE BRITO BALZANO
Por Carla Schmidt - @carlacjschmidt - www.carlaschmidt.com
Autora Best-seller, estrategista e empreendedora.
Carla Schmidt é especialista em marketing, empreendedora e autora best-seller, com uma trajetória internacional entre Brasil e Alemanha.
Após vivenciar dois episódios de burnout, transformou sua experiência em propósito: hoje apoia mulheres a se reconectarem consigo mesmas, reconstruírem suas vidas e criarem caminhos mais autênticos e sustentáveis.
Seu trabalho une estratégia, profundidade emocional e desenvolvimento pessoal.
Mãe em Burnout
Como foi o seu burnout ou o momento mais próximo disso que você viveu? O que estava acontecendo na época?
O meu burnout não aconteceu de forma repentina, ele foi construído ao longo do tempo, silenciosamente.
Eu estava tentando dar conta de tudo: carreira, filhos, casa, estudos, casamento… e ainda assim tentando ser perfeita em cada um desses papéis.
Externamente, tudo parecia funcionar. Internamente, eu já estava completamente esgotada.
Eu vivia em um estado constante de pressão e responsabilidade.
Não havia pausa, não havia espaço para mim. Eu acreditava que precisava continuar, que parar não era uma opção.
Com o tempo, fui me desconectando de quem eu era. Já não sentia alegria nas conquistas, apenas alívio por ter conseguido cumprir mais uma tarefa.
O corpo começou a dar sinais, mas eu ignorava. Até que chegou um ponto em que simplesmente não havia mais energia, nem física, nem emocional. Foi ali que percebi que não era apenas cansaço. Era algo muito mais profundo.
Quais sinais você ignorou antes de chegar no limite e o que você faria diferente hoje?
Eu ignorei praticamente todos os sinais possíveis.
O cansaço constante, a irritação, a falta de paciência, a dificuldade de concentração, o distanciamento emocional…
Tudo isso já estava presente muito antes do colapso. Mas talvez o maior sinal tenha sido a desconexão de mim mesma.
Eu já não sabia mais o que eu gostava, o que eu sentia, o que eu precisava. Estava funcionando no automático, apenas cumprindo papéis.
Hoje, eu faria tudo diferente. Eu aprenderia a parar antes de ser obrigada a parar.
Escutaria o meu corpo com mais respeito e levaria a sério os sinais emocionais. Também teria pedido ajuda mais cedo, algo que, naquela época, eu via como fraqueza.
Hoje eu entendo que limites não são obstáculos, são proteção. E que cuidar de si não é egoísmo, é responsabilidade.
O que te fez perceber que não era frescura, que era esgotamento real que precisava de atenção?
O ponto de virada foi quando eu simplesmente não conseguia mais funcionar.
Não era mais sobre estar cansada ou sobre um dia difícil, eu não conseguia me levantar, não tinha energia para falar com outras pessoas e sair de casa se tornou um enorme desafio.
Aquilo me assustou, porque não fazia sentido com quem eu sempre fui.
Eu sempre fui ativa, responsável, alguém que dava conta de tudo. De repente, tarefas básicas pareciam impossíveis.
Foi nesse momento que percebi que não era “frescura”, nem falta de força de vontade.
Era algo real, físico e emocional, que estava me paralisando.
O corpo e a mente estavam dizendo “chega” de uma forma que eu não podia mais ignorar.
E, pela primeira vez, eu entendi que continuar forçando só iria piorar tudo.
Foi ali que comecei a aceitar que eu precisava de ajuda e que isso não era fraqueza, mas um passo necessário para voltar a mim mesma.
Como foi o processo de sair do burnout. Quanto tempo levou e o que foi mais difícil nessa recuperação?
Sair do burnout foi um processo, não uma decisão pontual.
E, acima de tudo, foi lento. Levou cerca de um ano, exigindo paciência e muita honestidade comigo mesma.
O mais difícil foi aceitar que eu não podia voltar a ser quem eu era antes.
Porque, no fundo, foi exatamente aquela versão de mim que me levou até ali.
Eu precisei reconstruir minha vida de forma diferente, com mais consciência, mais limites e mais respeito por mim.
Houve momentos de frustração, porque eu queria “voltar ao normal” rapidamente.
Mas o processo me ensinou que não se trata de voltar, e sim de evoluir.
Aprendi a desacelerar, a priorizar, a dizer não. E, principalmente, a me reconectar comigo mesma.
Não foi um caminho linear. Mas foi profundamente transformador.
O que você aprendeu sobre seus próprios limites e sobre a forma como conduzia o negócio e a vida?
Eu aprendi que limites não são negociáveis.
E que ignorá-los tem um preço muito alto.
Durante muito tempo, eu conduzi minha vida e meu trabalho baseada em expectativas externas, tentando corresponder, provar, dar conta.
Hoje, eu conduzo a partir de dentro.
A partir do que faz sentido para mim.
Também aprendi que produtividade sem consciência leva ao esgotamento. E que sucesso sem equilíbrio não é sustentável.
Hoje, o meu negócio e a minha vida são construídos com mais intenção.
Eu escolho com mais cuidado onde coloco minha energia. E entendo que dizer “não” para o outro muitas vezes é dizer “sim” para mim.
O burnout me quebrou, mas também me reconstruiu.
E hoje, tudo o que eu ensino vem exatamente desse lugar de verdade.
Por Carla Schmidt - @carlacjschmidt - www.carlaschmidt.com
Autora Best-seller, estrategista e empreendedora.
Carla Schmidt é especialista em marketing, empreendedora e autora best-seller, com uma trajetória internacional entre Brasil e Alemanha.
Após vivenciar dois episódios de burnout, transformou sua experiência em propósito: hoje apoia mulheres a se reconectarem consigo mesmas, reconstruírem suas vidas e criarem caminhos mais autênticos e sustentáveis.
Seu trabalho une estratégia, profundidade emocional e desenvolvimento pessoal.
Carla Schmidt é mentorada do Coworking do ecossistema Lady Day Academy fundado por Gislaine Balzano e estrategista de negócios, imagem e marca pessoal, mentora de empreendedoras e empresárias e fundadora da Lady Day Academy.
Diretora executiva de moda internacional com projetos em Londres, Paris e Milão. @ladydayacademy e @gislainebalzano
Um convite para você
Se essa leitura te tocou de alguma forma, quero te fazer um convite.
Estou reunindo 30 mulheres que estão prontas para olhar para a própria história com mais verdade e começar a sustentar, com consciência, os papéis que vivem hoje.
Não é sobre dar conta de tudo. É sobre parar de se abandonar no meio do caminho.
As vagas são limitadas porque esse espaço precisa ser vivido com profundidade, não com pressa.